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             Existem vários tipos de preconceitos, sejam eles raciais, religiosos, machistas, feministas, opção sexual, classe social, dentre outros. Abordaremos um tipo de preconceito que está sendo aniquilado a cada dia, mas que sutilmente ainda existe em muitos locais e áreas. Estamos falando do preconceito contra a mulher no âmbito profissional em alguns setores, é aquela velha história que “lugar de mulher é na cozinha” ou mesmo que existem cargos específicos para homens, onde a mulher não é capaz de executar.

            A discussão contida em vários setores de trabalho, como a própria sociedade já pode constatar que não existem muitas mulheres astronautas, motoristas de ônibus, metalúrgicas, mineradoras e etc. A ampla hipótese de que as mulheres que atuam em ramos profissionais considerados próprios do sexo masculino, com comportamento fora dos padrões exigidos, acabam se conformando e não lutam para vencer o preconceito e sanções sociais. Sabemos que esse tipo de preconceito é conseqüência natural do modo de produção capitalista, conceitos religiosos e sociais que a mulher sofre no âmbito profissional.

            O Filme North Country – Terra Fria, que é baseado em uma história real, aborda a questão do preconceito contra a mulher no setor de trabalho e profissão, sofrendo além do preconceito, maus tratos e abuso por parte da empresa, da família e da própria sociedade e nos faz refletir como esses conceitos ainda existem e como as mulheres mesmo já exercendo profissões tipicamente masculinas, precisam mostrar superação e atingir nivelamento salarial em relação aos homens.

             A questão da política sexual domina tanto a história que é um alívio quando uma luta emocional envolve questões familiares, e não de trabalho. O público muitas vezes responde a dramas orientados por questões sociais. Mas a questão sexual em uma mineradora pode ser difícil de engolir.

         O mundo retratado numa tela é um em que os homens são abusivos e as mulheres, vítimas silenciosas. Isso é mostrado logo de cara, na primeira cena que mostra violência doméstica, quando Josey Aimes (Theron) consegue fugir de um marido violento com seus dois filhos. Ela volta para sua cidade natal no norte de Minnesota, para a casa do pai Hank (Richard Jenkins), a quem ela não consegue satisfazer, pois ele não consegue aceitar que sua filha volte a morar com os pais e seja uma mulher “separada”, dando margens para que as pessoas da pequena cidade possam pensar e falar, não só dela, mas de toda a família. Os bares e outros locais públicos também não são refugio, lotados de homens preconceituosos que fazem declarações, grosserias e chacotas, desrespeitando Josey.

          É quando surge uma velha amiga, chamada Glorey (McDormand), a qual sugere que ela comece a trabalhar com ela e algumas outras mulheres nas minas, fala da oportunidade de ser independente financeiramente e de conseguir dar um padrão de vida melhor para os filhos, Josey imediatamente se interessa e aproveita a oportunidade de juntar dinheiro e comprar uma casa para ela e os filhos. Glory desde o ínicio avisa que o relacionamento com os homens da mina não é dos melhores, e que o tratamento deles geralmente é rude, mas ela aprendeu a não se importar mais com isso.

          Quando Josey inicia seu trabalho na mina, já percebe a enorme rejeição, e as coisas vão de mal a pior. Primeiro são os comentários maliciosos e brincadeiras sexuais nos intervalos de almoço. Isso sem falar da estrutura que não favorece em nada as mulheres, tudo é planejado para que homens executem o trabalho, desde a farda até os banheiros. Muitos outros problemas trabalhistas são abordados no filme, mas a parte central é do preconceito e assedio sexual contra a mulher. Começam, a investidas sexuais contra Josey feitas por um ex-colega de escola. O único homem que tratava as mulheres com respeito era Kyle (Sean Bean), Marido de Glory, mas ele é deixado de lado por um acidente na mina. O pai de Josey também trabalha na mina e ignora totalmente os maus tratos que a filha vem sofrendo, e diz em casa para a mulher já não agüentar mais tantos comentários, e que se envergonha da filha que tem.

          Aparece então na pequena cidade, um rapaz que volta de Nova York, o qual tinha concluído a faculdade de direito e objetivava conseguir civilizar o comportamento rude e trazer novos conceitos para as terras frias, chamado Bill White (Harreslson). Quando Josey já não agüenta mais tanta humilhação preconceito e assédio, ela procura Bill para entrar com um processo contra a mineradora.

          Além de todos os problemas que Josey tem que enfrentar no trabalho, em casa ela sofre graves problemas no relacionamento com seu pai que não consegue aceitar a moral de sua filha, fica humilhado em vê-la aceitar um emprego em seu próprio trabalho e também com seu filho adolescente, o qual fica cada vez mais furioso e constrangido com a notoriedade de sua mãe. Enquanto isso, o julgamento faz com que o filho de Josey, Sammy (Thomas Curtis) saiba a verdade sobre seu nascimento e sobre a identidade de seu pai biológico. Isso o detestava.

         Tosos esses acontecimentos geram outras seqüências que fazem a trama abordar outros assuntos, como a mãe de Josey que encontra coragem para enfrentar o marido em prol da felicidade da filha.

        No final, Josey consegue vencer o processo e muitos preconceitos, onde a masculinidade áspera contida nas minas de ferro é derrubada! Os temas políticos e sociais abordados no filme nos fazem refletir sobre esse tema que de outras formas, seja com mais ou menos intensidade atinge lugares do Brasil e do mundo!

           Assim, podemos observar que em apenas um único filme, conseguimos identificar uma série de preconceitos, sendo um deles central e norteador dos demais, no caso a presença da mulher no trabalho tipicamente masculino.

            Os múltiplos papéis da mulher no lar e na família são constantemente confrontados e lembrados de forma a criar obstáculos para que ela tenha um trabalho fora do lar e uma vida independente. A mulher não precisa de limitações para criar os filhos da forma que achar devida e ter suas próprias escolhas. Também precisa ter independência financeira e direitos trabalhistas iguais.

            Além disso, a sociedade tem que vencer os preconceitos embutidos ao longo dos anos, seja pela cultura ou herança econômica, que desfavorece o papel da mulher no contexto geral, de modo a dar liberdade e direitos a todos, sejam homens ou mulheres, seja no próprio lar como no trabalho.